Todo líder deve estar preparado para conduzir a gestão da empresa em momentos adversos, como a crise econômica mundial atual. Afinal, mesmo em tempos de bonança, as lideranças são obrigadas a tomar decisões estratégicas que podem resultar no sucesso ou no fracasso do negócio. Também as qualidades que se exigem do líder nos bons momentos são as mesmas requeridas na adversidade. O que muda é a forma de agir. Crises econômicas severas potencializam riscos e ameaças aos negócios, o que exige dos líderes mais agilidade para antecipar cenários, rever estratégias e promover mudanças que se fazem necessárias.

A capacidade do líder de motivar pessoas e conquistar o engajamento dos funcionários e de outros stakeholders de acordo com os objetivos da organização é colocada à prova nos momentos de turbulência. Nas crises, é comum que paire na corporação um clima de desânimo e pessimismo, principalmente em decorrência de decisões dos líderes de cortar custos, demitir ou reduzir o budget para novos projetos. Também contribuem para contaminar o ambiente corporativo a perda de clientes, diminuição das vendas ou queda do market share. Nessas situações, o líder deve exercer sua capacidade de motivar as equipes e evitar que elas deixem a peteca cair.

A atuação do líder é fundamental para recuperar a confiança dos funcionários no potencial do negócio e na capacidade de seus gestores de conduzir o barco a porto seguro. Para isso, o executivo deve reforçar sua comunicação com os funcionários e outros públicos para explicar a real situação da empresa e o que está sendo feito para enfrentar os novos desafios. Transparência é a pedra angular desse processo de comunicação. O executivo tem de deixar claro as regras do jogo e explicar as decisões mais dramáticas que afetam os funcionários, como demissões, suspensão de promoções ou corte nos benefícios e na remuneração variável, por exemplo. Pode parecer óbvio, mas não é pequeno o número de executivos que optam pelo silêncio e deixam os colaboradores na incerteza e no desconhecimento.

Ao mesmo tempo em que busca explicar a situação e justificar as decisões, o líder deve comunicar aos funcionários, com entusiasmo, todos os ganhos da empresa na época de crise, como a conquista de novos contratos e clientes, aumento da participação de mercado, novas contratações ou aquisições importantes. Isso é importante para que os funcionários percebam que a empresa continua lutando para vencer os desafios e reforcem sua confiança na gestão.

Mais do que nos tempos de bonança, nas épocas de crise o executivo deve concentrar-se naquilo que é mais importante e de fato agrega valor ao negócio. Em outras palavras, deve priorizar o estratégico e não o operacional, que deve ser delegado a outras instâncias gerenciais. Mas os líderes não podem se descuidar das atividades e operações que afetam a saúde da empresa, como tesouraria, caixa, contas a receber, estoques e fluxo logístico.

O papel principal do líder nos momentos de adversidade econômica não é apenas atuar para reduzir os prejuízos. Ele deve motivar e energizar suas equipes para a prospecção de novas oportunidades de negócio. Os melhores líderes se valem da situação justamente para investir em áreas, nichos, atividades ou soluções que estão sendo descuidados por concorrentes mais preocupados em apagar incêndios que cuidar do futuro.

As lideranças não podem abrir mão do poder de decidir e desenvolver suas estratégias e nem da responsabilidade de antever e solucionar as crises. Mas, para tomar as decisões, elas devem estar dispostas a ouvir sugestões, conselhos e críticas de suas equipes. Muitas estratégias empresariais fracassam redondamente por causa do poder imperial de executivos.

Em resumo, o executivo tem de reforçar sua capacidade de liderança para tomar decisões adequadas, sustentar a confiança de seus liderados e motivar as equipes a superar as dificuldades.

Marcelo Mariaca é presidente da Mariaca, parceiro global para o Brasil da Lee Hecht Harrison e da InterSearch Worldwide Ltd., e professor do MBA da BBS – Brazilian Business School, associada à Universidade de Richmond.