Philip HallawellPresente em várias áreas que lidam com estética, o visagismo virou mania no mundo feminino. Apesar de ser novidade para muitas, o conceito já existe há quase 80 anos e era aplicado somente à imagem pessoal. Em 2009, o artista plástico Philip Hallawell lançou o livro “Visagismo: harmonia e estética”, ensinando a harmonizar as características físicas com corte, penteado e maquiagem.

Para esclarecer todas as dúvidas sobre o assunto, Hallawell ensina aqui a teoria e a prática do visagismo. Confira!

Portal: O que é o visagismo na prática?

Philip Hallawell :O visagismo é a arte de criar uma imagem pessoal de acordo com a personalidade, as atividades e os princípios do cliente, além das considerações estéticas.

Portal:Qual a diferença entre um visagista e um hairstylist?

Philip Hallawell: O hairstylist é um cabeleireiro diferenciado por ter a capacidade de criar um estilo de corte, enquanto o visagista vai além: cria estilos personalizados. Além disso, observa todos os aspectos da imagem pessoal – cabelo, maquiagem, pele, dentes, vestimentas e acessórios. Há visagistas atuando em diversas áreas: cabeleireiros, maquiadores, odontólogos, cirurgiões plásticos, consultores de imagem e moda, fonoaudiólogos e psicólogos.

Portal: Quais os aspectos e características do cliente que devem ser analisadas pelo visagista?

Philip Hallawell: O visagista analisa primeiro os aspectos físicos – o formato do rosto e das feições, as proporções do rosto e do corpo e a cor da pele – características que indicam o temperamento da pessoa. Também analisa o comportamento e a imagem atual. Fornece essas informações ao cliente para ajudá-lo a refletir sobre si mesmo, e definir o que deseja expressar através de sua imagem.

Portal: Até onde um visagista deve interferir na decisão do cliente?

Philip Hallawell: O objetivo do visagista é ajudar o cliente a definir uma intenção, o que deseja expressar e não interferir nessa decisão. Fornece informações, aponta as suas qualidades e características e o conscientiza sobre diversos aspectos. Somente a própria pessoa sabe como está utilizando os aspectos de seu temperamento e de sua personalidade, o que precisa ressaltar ou diminuir. Só ela conhece suas necessidades, suas dificuldades, suas prioridades, seus valores e seu estilo de vida. Tudo isso precisa ser respeitado. Cabe ao visagista definir a solução e traduzir essa intenção numa imagem, sempre com a permissão do cliente. A imagem é dele, define sua identidade e é ele que terá de conviver com ela, portanto a responsabilidade precisa ser dele também.

Portal: Como alertar o cliente de que o corte que ele quer não combina com o seu estilo?

Philip Hallawell: Toda a consultoria é uma conscientização do que é adequado ou não para seus propósitos e do que é esteticamente agradável. Quando se fala sobre a intenção antes da solução visual, isso se torna mais fácil. A pergunta nunca é como quer a imagem, mas o que quer expressar. Uma imagem bonita pode ser inadequada. Por exemplo, um grande número de mulheres associa atração e beleza à sensualidade, porque a mídia prioriza esse tipo de imagem. Não questiona se uma imagem sensual é adequada durante a maior parte do seu dia, no trabalho, com seus filhos ou na escola. Beleza é criada quando se expressa qualidades autênticas com harmonia e estética e, por isso, tem inúmeras expressões. Além disso, quando o cliente fica conhecendo suas características físicas, isso o ajuda a perceber o que funciona ou não para ele.

Portal: Além das tendências, no que um visagista precisa se basear para fazer um bom trabalho?

Philip Hallawell: O objetivo é definir o que se deseja expressar, por isso a consultoria é imprescindível. Sem a consultoria, não há visagismo. As tendências indicam como a sociedade está se transformando, porque também expressam valores e princípios. É importante identificar quais são os aspectos das tendências que se encaixam no modo de pensar e agir do cliente.

Portal: Qualquer cabeleireiro pode virar um visagista?

Philip Hallawell: Sim, desde que adquira os conhecimentos. Ele precisa dominar, em primeiro lugar, os fundamentos da linguagem visual, porque necessita saber o que os elementos visuais expressam – as linhas, as formas e as cores – e os princípios de harmonia e estética. Precisa saber usar esse conhecimento para reconhecer as formas, linhas e cores no rosto e na imagem e saber interpretá-las para poder ler o temperamento e o que a imagem expressa e, depois, precisa saber como usar essa linguagem para traduzir uma intenção numa imagem. Além disso, precisa adquirir conhecimentos sobre temperamentos, personalidade e identidade, de antropologia e da história da imagem pessoal. Precisa dominar um método para fazer a consultoria e definir a intenção. Finalmente, precisa mudar atitudes, pois de um artesão, ou técnico, vai se transformar num artista, libertar-se de padrões e dedicar-se a trabalhar criativamente, com todo cliente.

Portal: Um visagista precisa necessariamente trabalhar na prática? Colocar as mãos na massa?

Philip Hallawell: O visagista é comparável ao compositor na música. Ele cria a música, mas não necessariamente a executa. Eu, por exemplo, não corto cabelo, nem maquio, opero um nariz ou executo um procedimento odontológico. No entanto, posso orientar qualquer profissional, de qualquer área, a respeito da melhor solução e identificar a intenção do cliente, porque domino todo o processo da análise, da consultoria e sei como criar uma imagem que expressa uma intenção. A parte artesanal é a parte menor no processo, mas essencial.