FotoOs cuidados com higiene no salão de beleza são vitais para a saúde do cliente. Apenas manter as unhas dos consumidores bonitas não garante seu bem estar. Micose, onicosquizia (a descamação da borda livre da unha) e até hepatite são doenças que, se não forem tomados os devidos cuidados, podem ser transmitidas com palitos, alicates e lixas de unha de uso comum a mais de uma pessoa.

Para saber mais sobre o assunto, o Portal Cabeleireiros.com entrevistou a dermatologista Gabriela Casabona, integrante da equipe o programa “10 Anos + Jovem”, do SBT. A médica falou sobre os riscos de contágio e as principais doenças que atacam unhas e pele. Confira!

Portal Cabeleireiros.com: Apenas os cuidados básicos como esterilização são suficientes para evitar o contágio de doenças nas unhas?

Gabriela Casabona: Só para deixar claro, esterilização só dá para ser feita com autoclave e desinfecção, com a estufa. Então, se os cuidados forem feitos com autoclave, sim é suficiente, se realizado da maneira correta. Alguns fungos e bactérias são resistentes aos meéodos de desinfecção mais simples.

Portal: Quais são os cuidados que um salão deve ter para evitar a transmissão de doenças?

Gabriela: Primeiro a esterilização do material todo, inclusive o palitinho Gabriela Casabona - dermatologistaque limpa o esmalte. Também é importante o uso de lixas descartáveis. Evitar cutucar embaixo da unha e muito nas laterais para não tirar a proteção natural da unha também é importante. E não é aconselhável retirar demais as cutículas.

Portal:
É possível pegar hepatite apenas com o uso de um alicate não higienizado?

Gabriela: Deve-se tomar muito cuidado. Ainda não temos conhecimento sobre todas as formas de contágio de alguns tipos de hepatite - então, nestes casos, é possível que o alicate transmita a doença sim. Segundo alguns estudos, a transmissão da hepatite C, por exemplo, é mais fácil do que a da AIDS, se em contato com sangue contaminado.

Portal:
O mesmo caso acontece com as micoses? Como elas podem ser evitadas?

Gabriela:
Os fungos adaptados ao homem, que são os maiores causadores das micoses de unha, são transmissíveis, mas precisam de um ambiente propício, com calor e umidade. A baixa resistência também ajuda nesse processo, e a  porta de entrada para as micoses podem ser machucadinhos. E é aí que a manicure entra, pois muitas vezes elas machucam o local da cutícula, laterais ou embaixo da unha, o que é ideal para a proliferação de fungos.

Portal: Como uma pessoa desenvolve onicosquizia (a descamação da borda livre da unha)?

Gabriela:
A onicosquizia ou descamação ungueal ocorre por diversos fatores. Os mais comuns são devido a agressões externas, como lavar muito as mãos e  fazer utilização contínua de produtos de limpeza. O mal também pode traduzir uma falta de nutrientes ou baixa reserva de ferro.

Portal: É uma doença transmissível? Qual é a principal área de risco?

Gabriela: Não é transmissível. É uma característica pessoal e ambiental.

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: Qual é a doença de unhas mais perigosa? Por que?

Gabriela: Eu diria que é o melanoma, que é um câncer de pele vindo de células de pigmento que pode começar apenas como uma linha escura na unha.

Portal:
No geral, como uma manicure deve agir para evitar essas doenças?

Gabriela:
Como já disse, deve evitar cutucar muito as unhas e cutículas, sempre usar lixas descartáveis e material esterilizado em autoclave, higienizar as mãos entre uma cliente e outra, usar lixas seladoras para selar e polir a unha sem agredir.