Tudo começou em Campos, interior do Rio de Janeiro. A influência do pai lavrador, que cortava cabelos aos finais de semana, ajudou Walter Cabral a descobrir sua habilidade com as mãos, ou melhor, com as tesouras. Hoje, passados 42 anos, ele administra 13 salões na ‘cidade maravilhosa’ e uma academia que leva o seu nome. Confira abaixo, em entrevista com o hairstylist, o motivo para tanto sucesso.

Portal BSG - Com quantos anos você teve o primeiro contato com uma tesoura e como surgiu o interesse pela profissão? Conte um pouquinho do inicio de sua carreira.
Walter Cabral -
Eu sou filho de um lavrador do interior de Campos. Durante os finais de semana meu pai cortava cabelos e, desde pequeno, eu e meus irmãos começamos a ter contato com a tesoura, por influência dele. Acabávamos também colocando a mão na massa. Eu descobri que era hábil com as tesouras. Mas um bom cabeleireiro não é feito apenas de talento, mas de muita prática. Só se começa a ter destreza com as tesouras, depois de uns 3 ou 4 anos de prática.

PBSG - Teve experiência em outra área?
WC -
Sempre trabalhei nesta profissão. No começo de tudo, quando ainda tinha apenas uma loja, eu comprava imóveis, os reformava e vendia. Mas era uma atividade paralela a minha profissão.

PBSG - De onde vem as inspirações?
WC -
As inspirações vêm das coisas que eu vejo pelo mundo. Viajo todos os anos para os principais pólos para me manter atualizado e para ver o que está sendo feito.

PBSG - Como construiu a rede Walter’s Coiffeur?
WC -
Eu sai de Campos aos 17 anos em busca de uma vida melhor. Sai de caminhão, acompanhando uma família conhecida que estava se mudando para Curitiba. Cheguei lá naquela cidade, tão longe do meu mundo do interior, e consegui um emprego num salão de apenas três cadeiras. Fiquei lá por dois anos cortando cabelos, ajudando no que era preciso. Depois disso, em 1962, vim morar no Rio de Janeiro. A princípio, foi muito difícil conseguir emprego, pois por ser muito novo, as pessoas tinham medo de me empregar, me achavam imaturo e sem perfil de profissional. Apenas uma pessoa apostou em mim e eu fui trabalhar no salão de um português na Galeria Ritz, em Copacabana. Cresci na profissão e as mesmas pessoas que me negaram trabalho começaram a me procurar, porque eu estava fazendo sucesso entre a clientela. Juntei dinheiro, economizei, trabalhava muito e em três anos consegui comprar a minha primeira loja. Depois disso eu fui abrindo outros estabelecimentos pelo Rio de Janeiro.

PBSG - E como consegue administrar todos os salões? Todos seus salões são próprios, ou são franquias?
WC -
Eu conto com uma equipe capacitada de profissionais, além de ter a ajuda do meu filho Walter na administração de uma forma geral na empresa. Todos os salões são próprios.

PBSG - Qual o maior desafio em ser um empresário da beleza?
WC -
Manter-se atualizado. Nós temos que estar sempre à frente das novidades e não em busca delas.

PBSG - Como lida com a questão da fama? Atende muitas celebridades? Costuma ter diferencial no tratamento?
WC -
A rede tem muitos clientes artistas, celebridades, até porque temos lojas nos endereços mais importantes da cidade. Cada cliente em nossas lojas é tratado de forma especial, com todo respeito e profissionalismo, celebridade ou não.

PBSG - Como surgiu a idéia de montar sua própria academia?
WC -
Eu sempre tive esse sonho. E agora ele está realizado. Sempre quis capacitar profissionais para entrar no mercado e, principalmente, aperfeiçoar a minha equipe.

PBSG – O que você acha que um profissional cabeleireiro deve ter para se destacar no mercado?
WC -
Primeiro de tudo seriedade. Tudo que o profissional fizer tem que ser com seriedade. Além disso, é primordial que ele tenha um objetivo firme. Também deve tratar o cliente com carinho, de coração, sem maldade e demonstrando que você está ali para deixá-lo bonito, para cuidar dele. O cliente tem que sair feliz. O profissional também tem de ser equilibrado e conhecer seus limites. São características que parecem ser pessoais, mas que refletem no trabalho da pessoa.

PBSG - Qual é o principal equívoco cometido pelos novos profissionais que você procura orientar na Walter’s Academy?

WC -
O principal equívoco é a insegurança. O profissional tem que se sentir seguro, até porque está sendo qualificado para isso, para que o cliente possa sentir essa segurança. Se o cliente sentar na cadeira e perceber um profissional inseguro, ele vai embora. O profissional tem que saber aquilo que está fazendo e confiar em si mesmo.

PBSG – Quais foram as principais mudanças entre os profissionais de 42 anos atrás quando iniciou a carreira com os atuais?
WC -
O profissional de hoje tem mais oportunidade, tem meios para aprender, como academias e centros que ensinam o ofício, diferentemente do tempo que comecei. Os profissionais de hoje também têm um nível de escolaridade maior do que os de antigamente, o que é conseqüência da demanda do mercado, que se tornou mais exigente.

PBSG – Tem algum projeto futuro na área profissional?
WC -
Os meus projetos todos são para a rede. Penso em ampliar a Academia e estou focando meus esforços na abertura de uma nova loja na zona Oeste do Rio.

PBSG – Fora dos salões, você se dedica a alguma outra atividade?
WC -
Eu trabalho muito, mas tento reservar pelo menos os meus sábados para uma partida de futebol com os amigos. E tenho um hobby especial: construir casas, cuidar das obras da minha casa de perto e das reformas.

PBSG – Qual é o segredo para o sucesso profissional?
WC -
A seriedade e ter um objetivo determinado são fundamentais para se alcançar o sucesso.

PBSG - Quais são suas dicas para o outono-inverno 2007?
WC -
Para as duas estações, nós continuaremos com a tendência de cabelos desalinhados. A novidade é que teremos bastante penteados laterais, como tranças e rabos de cavalo. Já para as cores, os marrons em tonalidades quentes serão a pedida com mexas acobreadas ou em tom âmbar e dourado-noz. Em maquiagem, os olhos continuarão marcados, mas as cores serão opacas.

Colaborou: Marcella Sarubi