Articulista

Wilson Mileris é conferencista, treinador e consultor nas áreas de liderança, motivação e vendas.

A teoria evolucionista de Charles Darwin enfatiza que a competição entre as espécies e entre os animais da mesma espécie foi um mecanismo importante na seleção natural. Segundo a tradição darwinista, na luta pela vida, apenas os mais aptos têm condições de sobrevivência, enquanto os mais fracos são naturalmente eliminados pelos mais fortes. Muitos sociólogos, economistas, filósofos, psicólogos sociais e executivos foram influenciados por essas idéias e viram na competição um mecanismo de aprimoramento social. 

Alguns teóricos da administração defendem a mesma idéia de competição como um valor a ser incentivado pelos gerentes. Eles acreditam que a disputa promove a motivação das equipes, que, no desejo de ganhar, empregam o máximo de seus esforços e de suas energias. Alguns chamam essa estratégia de competição saudável e acreditam que o darwinismo corporativo pode aumentar resultados. Eles esquecem que em toda competição existe um componente de agressão. 

Sob o manto da competição saudável, estimula-se a competição entre equipes de vendas, entre unidades de produção, entre empresas do mesmo grupo, enfim, entre todos os setores das empresas. Os vencedores são elevados ao pódio e os perdedores ficam na pior ou descem ao inferno. A gozação e as brincadeiras enfatizam a incompetência dos derrotados. É evidente que o número dos perdedores é bem maior que o dos vitoriosos, e a alegria dos campeões é bem menor que a frustração dos vencidos. 

Muitas energias são consumidas nas justificativas e na racionalização do passado malogrado. Com o tempo, mágoas e frustrações podem transformar-se em conflitos e provocar a deterioração das relações interpessoais. Acredito que é hora de contestar a tese da competição, especialmente em ambientes corporativos. Deve-se trabalhar a cooperação entre os envolvidos nas estratégias empresariais para gerar o equilíbrio e a harmonia. 

Constato, como consultor, que o desenvolvimento dos grupos depende da cooperação entre os membros. Se há coesão e laços de afeto entre os participantes, o grupo tem alto poder de barganha nas relações sociais. Quando há desarmonia, o grupo perde sinergia e capacidade de influenciar os resultados positivamente. Harmonia pressupõe a ausência de conflitos. E onde há harmonia existem chances maiores de ampliar a produtividade. É a reumanização promovendo prosperidade.

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