Uma doença da pele bastante freqüente e que atinge igualmente homens e mulheres, principalmente na faixa etária entre 20 e 40 anos, mas pode surgir em qualquer fase da vida. Assim é a Psoríase, uma enfermidade de causa desconhecida. Fenômenos emocionais são frequentemente relacionados com o seu surgimento ou sua agravação, provavelmente atuando como fatores desencadeantes de uma predisposição genética para a doença. O dermatologista e diretor do CBP - Centro Brasileiro de Psoríase, Doutor Cid Yazigi Sabbag, respondeu algumas perguntas ao portal BSG – Cabeleireiros.com. Confira!

Portal BSG - O que é psoríase?
Cid Yazigi Sabbag -
Psoríase é uma doença de pele que muitas vezes atinge as articulações, sendo que pouca gente sabe ao certo como é, mas quem a vê fica constrangido e quem a possui, procura escondê-la. Trata-se de uma inflamação crônica e recorrente das células da pele, chamadas queratinócitos. Esta inflamação provoca aumento exagerado da produção de queratinócitos, que se acumulam na superfície da pele, formando placas avermelhadas e com escamas esbranquiçadas, como uma parafina de vela, deixando a pele grossa nessas áreas.
PBSG - Por que tem esse nome?
CYS -
A aparência explica o nome psoríase, que do grego, significa “sarnento”, isto é, “que coça” e que por mais de mil e duzentos anos foi confundida com a lepra (hanseníase). Somente no século XVIII foi diferenciada como uma outra doença.

PBSG - Muitas pessoas têm psoríase?
CYS -
O curioso é que embora acometa 2% da população mundial, em qualquer idade e igualmente em ambos os sexos, pouco vemos na mídia e raramente ouvimos uma pessoa nos contar que tem psoríase. Isso se deve ao estigma social que as pessoas com psoríase enfrentam, pois parece ser algo contagioso. No Brasil, talvez mais de três milhões de pessoas tenham a doença.

PBSG - Mais de uma pessoa da mesma família pode ter a doença?
CYS -
Costumo dizer que ela não atinge só o indivíduo, mas atinge emocionalmente os familiares e amigos. Em 30 % dos casos pode ser transmissível geneticamente para os descendentes. Transmissível não quer dizer contagiosa. Psoríase não “pega” ao contato.

PBSG - É comum mudança de comportamento?
CYS -
Sofrer de uma doença de pele crônica e de difícil controle não é só angustiante, como pode resultar em mudanças de comportamento e até de personalidade. Comumente as pessoas com psoríase procuram cobrir a pele afetada com roupas, evitando o uso de camisa e saia curta, short, blusa decotada. Mesmo durante o verão, estão cobertas de roupas. Com essa atitude, perde-se a oportunidade de expor-se ao sol, que ajuda no tratamento da doença. O preconceito também faz evitar a ida ao cabeleireiro, esteticista, massagista e podólogo.
PBSG - Como é feito o diagnóstico?
CYS -
O diagnóstico da psoríase é feito pelo exame clínico e se necessário, confirmado através da biópsia da lesão. Existem algumas características nas lesões de psoríase: as bordas externas são bem delimitadas ou com halo esbranquiçado ao redor (sinal de Woronoff); as escamas são espessas e prateadas (sinal da vela), podendo haver inflamação. Se rasparmos as escamas poderá ocorrer pontos de sangramento (sinal do orvalho sangrante).
PBSG - Quais as causas da doença?
CYS -
Trata-se de uma patologia genética e com vários genes envolvidos, dificultando o estudo no Projeto Genoma. Em qualquer fase da vida, poderá se manifestar pela primeira vez e a partir daí, o seu curso é imprevisível. Geralmente persiste em surtos durante vários anos ou até décadas, ou pode desaparecer espontaneamente.
Não é uma doença contagiosa e não há necessidade de evitar o contato físico com outras pessoas. Pode-se freqüentar piscinas públicas, fazer massagens e sauna, doar sangue e conviver bem com toda sociedade.

PBSG - O que provoca a psoríase?

CYS -
O meio ambiente, germes (bactérias, fungos ou vírus), alguns remédios - deve-se evitar o uso de corticóides (cortisona)- e certamente o sistema emocional desencadeiam o processo de formação das placas de psoríase. Mas o emocional também pode melhorar e controlar a doença.

PBSG - Quais as partes do corpo que são atingidas com mais freqüência?
CYS -
Geralmente aparece nos cotovelos, joelhos e couro cabeludo, porque são áreas de traumas, mas pode acometer qualquer área, inclusive unhas. Em casos mais raros, o corpo todo.

PBSG - Qual o melhor tratamento?

CYS -
Os tratamentos clínicos variam de produtos tópicos (cremes, pomadas e xampus) a sistêmicos (comprimidos ou injetáveis), dependendo do grau de acometimento. De uso tópico é importante salientar que os cremes com cortisona devem ser evitados, porque podem fazer piorar – chamado efeito rebote - e até criar resistência à melhora.
Outras opções tópicas continuam válidas, como as vitaminas D3 e o alcatrão e seus derivados. Para casos mais disseminados, pode-se usar a fototerapia com luz artificial ultravioleta, tipo A ou B. Quando a psoríase atinge mais de 60 % do corpo, é necessária droga sistêmica, como o acictretina (retinóide), a ciclosporina (imunossupressor) ou o metotrexate (quimioterápico leve).