Cabelos saudáveisUma cabeleireira bonita ajuda, e muito, a compor um belo visual, difícil é conseguir o contrário: um belo visual com cabelos feios. Por isso diariamente surge algo novo sobre o tema e, naturalmente, uma nova dúvida. Por ser um assunto que interessa à maioria das pessoas, as crendices populares são muitas, provocando uma confusão entre o que é fato e o que é boato.

A teoria popular mais conhecida é a de que é preciso cortar as madeixas conforme as variações da Lua. Na crescente para crescer, na minguante para diminuir o volume, na cheia para engrossar os fios e, por fim, na nova para melhorar o aspecto dos cabelos. Saiba que não dá para afirmar que isso é crendice! A ciência não chega a um acordo sobre o tema. Não afirma ser verdade e não garante ser mentira.

Também é comum a crença de que é preciso cortar os cabelos mensalmente para que cresçam fortes e sadios. Bobagem, os fios crescem em média um centímetro por mês. Conforme a especialista da Maxiline, empresa de cosméticos, Lílian Venâncio, “não cortar favorece a degradação dos fios, possibilitando o aparecimento de pontas duplas, mas o crescimento acontece no bulbo capilar e não nas pontas”.

Escová-los garante um aspecto bonito. Parece conselho de vovó, mas é verdade. Os fios ficam mais brilhantes porque a escovação libera a oleosiodade natural do couro cabeludo, mas faça isso com cuidado: gestos bruscos podem provocar a quebra dos fios. Desembarece-os e depois use a escova por dezenas de vezes. Outra coisa, não se desespere ao encontrar fios de cabelo pela casa, é natural perder cerca de 100 fios por dia.

Água fria

E a água fria deixa-os mais brilhantes? Não exatamente. A água quente prejudica os fios, estimulando a produção das glândulas sebáceas, por isso a sensação de que a água fria promove o brilho. A temperatura morna é a ideal. Falando de água, a lavagem diária não prejudica, mas é preciso secar os fios para não danificar o couro cabelo. Os cabelos oleosos devem ser lavados com xampu específico e sem massagens excessivas para não superestimular a produção de óleo. O excesso de oleosidade no couro cabeludo pode levar à queda.

No quesito tintura, cuidado, as cores claras realmente deixam o fio mais fino e, portanto, suscetível a quebras. Lílian Venâncio explica que eles perdem muita massa durante esse tipo de processo e precisam de tratamento diferenciado, rico em aminoácidos, proteínas do trigo e D-Panthenol.

Hidratação
E para hidratar o que é melhor? Muita gente deixa os cremes hidratantes por várias horas, mas será que isso é bom? Na verdade, garante Lílian, após o tempo de permeação dos ativos, o produto deixa de agir. O ideal é verificar o tempo de ação através do rótulo, obedecendo às indicações do fabricante.

Consultamos a diretora técnica da Mutari Cosméticos, France Batistelli, responsável pelo departamento de pesquisa, desenvolvimento e qualidade da empresa. De acordo com ela, “os ingredientes ativos penetram até certo tempo. Certamente não levam horas e o tempo excessivo de contato pode provocar irritações no couro cabeludo”.
O uso da touca térmica pode ser benéfico, porque as fontes de calor tendem a ativar a ação dos ativos, mas Lílian Venâncio faz uma ressalva: “Hoje no mercado existem diversas bases hidratantes que dispensam esse procedimento”.

Pranchas e Secadores

Escovas e secadores

Mesmo sabendo que a tendência para o inverno não são os cabelos extremamente lisos, é quase impossível viver sem esses aparelhos, embora seja difícil usá-los sem prejudicar a estrutura capilar. As especialistas indicam o uso de protetores térmicos, que resguardam os fios.

Com relação aos cabelos lisos, a onda das escovas progressivas despertou os consumidores para os produtos sem sal. Mas será que eles realmente são benéficos? Será que são contra-indicados para quem se submete a esses alisamentos?

Para France Batistelli o sal em xampus se tornou um mito devido a dois fatores: primeiro, porque durante muitos anos esteve presente, em altas concentrações, na composição de produtos de baixo custo, como uma forma barata de ajustar a viscosidade (xampu viscoso – grosso - não escorre facilmente pelos dedos); depois esses produtos foram alvo de fabricantes de artigos mais elaborados, que apontaram o cloreto de sódio como componente prejudicial ao cabelo.
“Por si só o sal em percentuais baixos não danifica os fios. O que faz mal a um cabelo que passou pela escova progressiva é a química aplicada e o uso de produtos que não oferecem em sua composição ingredientes que o deixem mais macios, brilhantes e hidratados”, explica.

Alimentação

Alimentação
A alimentação realmente tem influência na qualidade dos cabelos. Quem passa por dietas rigorosas percebe uma maior fragilidade das madeixas. Isso ocorre porque “regimes extremos, sem balanceamento dos alimentos, geram menor quantidade de aminoácidos, sais minerais e outros elementos importantes para o corpo, fragilizando o cabelo”, confirma France.

Para a especialista, o importante é uma dieta balanceada, porque proporciona um equilíbrio de nutrientes na corrente sangüínea, os quais serão aproveitados pelo bulbo capilar na produção das células capilares. “Alimentos ricos em gorduras, como castanhas e chocolate, deixam a pele e os cabelos mais oleosos, por isso o ideal é uma dieta balanceada”, diz. Apesar dos fios crescerem cerca de um centímetro por mês, e isso independer de cortes mensais, uma alimentação desequilibrada pode comprometer o processo.

Cuidado também com bonés, chapéus e boinas: “O uso por tempo prolongado abafa o couro cabeludo, tornando-o excessivamente oleoso, este excesso prejudica a ‘respiração’ e deixa os fios opacos e com aspecto ruim”, informa France.

Corte

Por fim, na hora de cortar a cabeleireira, preste atenção no fio da lâmina, seja da tesoura, seja da navalha. “Elas devem ter ótima qualidade e estar perfeitamente afiadas. Caso contrário, a fibra se apresentará com as pontas danificadas. O corte com navalha deve ser realizado observando o ângulo correto em relação à fibra para evitar a formação de ‘caudas’ na extremidade, o que fragiliza o fio”, diz France.