É inegável o quanto os cabelos recebem de atenção das pessoas, em acessórios, produtos, penteados, tinturas e escovas, entre muitos outros tratamentos. A atenção e preocupação com os cabelos crescem ainda mais quando achamos que os cabelos estão caindo demais e se teme a calvície.

Mas antes de se preocupar sem necessidade ou tomar medidas que possam prejudicar mais do que ajudar a saúde dos seus cabelos, tire algumas dúvidas sobre o que é mito e o que é verdade a respeito do crescimento, queda e transplante dos fios. Quem as responde é o dermatologista Arthur Tykocinski.


Cada pessoa tem um ritmo diferenciado de crescimento capilar
Verdade. Cada indivíduo tem uma determinada velocidade de crescimento dos fios, algo como 1 a 1,5 cm/mês. Mas em alguns, ela é menor, especialmente em pessoas que tem cabelos finos. Também a duração total da fase de crescimento influi. Varia de 2 a 5 anos, sendo que nos casos em que a duração é menor, o comprimento total do cabelo será também menor. Quando a pessoa, em função de suas características individuais, combina um crescimento lento com um ciclo curto teremos um quadro de cabelos que não passam dos ombros mesmo.


Alterações hormonais são os principais fatores que influenciam queda dos cabelos
Mito. Na maioria dos casos, o problema não é hormonal. Pode haver muitas vezes uma influência hormonal apenas, mas dentro da normalidade. A queda de cabelo deve ser vista como um sintoma e não uma doença em si. Portanto, devemos investigar outras possíveis causas, como deficiências nutricionais, muito freqüentes nas mulheres. A calvície masculina é basicamente determinada pela genética em combinação com os hormônios masculinos, embora existam outros fatores que influenciam como estresse, nutrição e inflamações no couro cabeludo. O melhor é investigar caso a caso para ter certeza da causa e poder dar um tratamento especifico.

Uma pessoa jovem pode fazer transplante capilar
Sim, mas com algumas ressalvas. Pacientes jovens são casos que merecem uma atenção especial. Quanto maior for a tendência genética à calvície, mais precoce e mais extenso será o processo. Apesar do imediatismo dos jovens, deve-se evitar fazer transplante antes dos 23 anos, quando começa a ser possível estimar a extensão da calvície. Outro motivo é que nessa fase a pessoa tem maturidade para entender o alcance do transplante e aceitar um padrão adulto, com um pouco de entradas e não tão baixo assim. Deve-se evitar aquele cabelo da época da adolescência, pois um cabelo natural aos 18 anos pode parecer esquisito aos 40 ou 50 anos.

Usar medicamento contra calvície contribui para o crescimento de novos cabelos
Mito. O tratamento capilar medicamentoso (tratamento clínico) tem como objetivo manter ou ao menos reduzir a queda dos cabelos, mas não faz nascer cabelos em áreas já afetadas pela calvície. A restauração capilar via transplante é que tem como intuito restaurar os cabelos da área calva. Colocando novos fios, o cabelo crescerá normalmente, cobrindo a região. Note que o transplante não previne a queda do cabelo, apenas repõe o que já caiu.

O transplante capilar não passou por evolução em suas técnicas até hoje

Mito. Hoje em dia, a técnica mais revolucionária com resultados mais eficazes é a de Transplante Folicular Coronal, ainda pouco praticada no Brasil. Ela reproduz de maneira fiel a anatomia do couro cabeludo, principalmente através da densidade dos fios, isto é, cerca de 40 a 60 unidades foliculares - que são as maneiras como os cabelos nascem no couro cabeludo - são transplantadas por cm².

Já fiz um transplante capilar daqueles antigos e não ficou natural. Posso corrigi-lo com outra cirurgia
Verdade. Sempre é possível uma grande melhora no aspecto, mesmo tendo feito um transplante com aqueles antigos tufos. Mas, a abordagem corretiva varia de caso a caso.