As mulheres, com mais freqüência que homens, dão grande importância à aparência de suas unhas e gastam tempo e dinheiro para mantê-las em boa forma. Além de seu apelo cosmético, as unhas têm importantes funções: ajudam a pegar e manipular objetos, protegem os tecidos das pontas dos dedos das mãos e pés, e, muito importante, refletem nosso estado geral de saúde, pois muitas doenças e condições sérias podem ser detectadas por mudanças nas unhas.

Algumas dessas doenças aparecem discretamente e muitas vezes não são percebidas pelas pessoas. São as famosas doenças fúngicas, que afetam principalmente a pele, cabelos, unhas e pêlos. Há uma forte tendência delas acometerem as pessoas em épocas de aumento da temperatura, ou ainda com o uso cada vez maior de materiais sintéticos na confecção de roupas e calçados.

Segundo o professor Rogério Rossetto, químico cosmético e professor de Cosmetologia da faculdade de Ciências de Guarulhos e Senac de Guarulhos, em países de clima tropical e subtropical, como é o caso do Brasil, as pessoas estão mais suscetíveis às doenças fúngicas. As micoses de pele são patologias causadas por fungos patogênicos, que podem ser dermatófitos, não dermatófitos, filamentosos, não filamentosos e leveduras.

A dermatomicoses, termo utilizado para denominar a variedade de fungos filamentosos e não-dermatófitos. causam lesões na pele, cabelos e unhas. A micose tem nome específico, por exemplo: tínea dos pés, tínea do corpo, tínea do couro cabeludo e quando afeta as lâminas ungueais (unhas), é chamada de onicomicose.

E como perceber os sintomas? O professor Rogério explica que os sintomas são coceira, descamações, manchas hipocrômicas (pitiriase versicolor), manchas hipercrômicas (Tinea corporis) e quando afeta as unhas através do formato e espessura. Rogério pontua que é preciso ficar muito atento, pois as micoses de pele podem ser confundidas com outras patologias, tais como: dermatite seborréica, psoríase, eczema, líquen, ptiríase Alba, alopecia areata, entre outros. “O diagnóstico pode ser realizado por meio de um exame chamado de micológico direto, a lesão é raspada, o material é colocado em lâmina microscópica, passa por um processo de clarificação e depois é examinado por um biologista”, afirma o professor.

Para cuidar das onicomicoses, a atuação do podólogo é essencial. “Otimiza os resultados, principalmente se o cliente estiver realizando além do tratamento sistêmico, o tratamento tópico com esmaltes terapêuticos, que podem ser aplicados pelo próprio podólogo, com limpeza e higienização do local. Conseqüentemente a cura será mais rápida”, explicou Rogério.

As doenças fúngicas não são transmitidas através do toque, portanto o profissional podólogo não precisa preocupar-se com contaminação ao apertar a mão ou os pés da cliente. Mas é importante o uso do EPI: luvas, toucas, máscaras, ou óculos de proteção.

No caso das manicures, esse conceito muda um pouco, porque o contato com materiais cortantes, lixas e palitos pode levar fungos de um local a outro. O professor Rogério lembra que nesse caso, a esterilização de todo o material é imprescindível, bem como o descarte de lixas e palitos. Outro cuidado importante é em relação à técnica. “Todas as lâminas utilizadas para fazer as unhas devem ser tratadas para depois serem usadas nas unhas afetadas, evitando a contaminação cruzada”, concluiu.

Dicas para o dia-a-dia:

  • Secar bem os pés e o corpo após o banho;
  • Não compartilhe toalhas, chinelos, meias, entre outros;
  • Não andar descalço em ambientes como saunas, vestuários de clubes e academias;
  • Evite usar meias e roupas de tecido sintético (elas dificultam a absorção da transpiração, virando meio de cultura para fungos);
  • Prefira tecidos de algodão que são mais leves e absorvem melhor a transpiração.