Cuidados e tratamentos para evitar o desenvolvimento de acne na pele oleosa

A preocupação em ter sempre uma pele bonita e saudável torna a pele oleosa uma das principais inimigas das mulheres. Muita desta preocupação acontece pelo medo de que a oleosidade excessiva leve à outra temida vilã, a acne, uma das queixas mais comuns dos consultórios dermatológicos. Para tratar a acne, é preciso conhecer a causa e cuidar da pele oleosa para que ela não traga desconfortos.

Responsáveis pela oleosidade da pele, as glândulas sebáceas estão presentes em quase toda a pele. Em geral, seu tamanho é inversamente proporcional ao tamanho do folículo piloso da mesma região, por isso, as maiores glândulas sebáceas estão concentradas nas áreas em que os pelos são menos desenvolvidos, como por exemplo, a testa e o nariz. A dermatologista Dra. Daniela Schmidt Pimentel, integrante do corpo clínico do Hospital Sírio Libanês e da Clínica Ephesus, em São Paulo, conta que as glândulas sebáceas são ativadas pelos andrógenos, hormônios que têm sua produção elevada durante a puberdade, e por isso é muito mais comum que a acne surja neste período.

Temida por todos, a acne é uma afecção dos folículos pilo-sebáceos, aqueles que têm uma glândula sebácea hipertrofiada e um pelo fino e rudimentar, que se localizam na face e na região anteroposterior do tórax. “Existe uma tendência hereditária da acne, transmitida por genes autossômicos dominantes. Quando ambos os pais têm acne, a possibilidade de aparecimento nos filhos é de 50%, com gravidade variável”, explica a dermatologista.

Um fator fundamental para o desenvolvimento da acne é a hipersecreção sebácea associada à hiperqueratose folicular. Durante a puberdade, com a ação dos andrógenos, ocorre o desenvolvimento das glândulas sebáceas e em alguns casos a hipersecreção sebácea e o aparecimento da acne podem acontecer por dois mecanismos. O primeiro, menos frequente, ocorre por aumento de hormônios andrógenos circulantes, como a testosterona. Já o segundo mecanismo, que ocorre com mais constância, acontece devido à ação periférica dos hormônios andrógenos, ou seja, uma resposta hipersecretora da glândula sebácea ao estímulo andrógeno, por fatores genéticos ou constitucionais. Fatores emocionais também podem agravar a acne e a oleosidade da pele.

Alguns alimentos podem agravar esse quadro, como os com alto índice glicêmico, que quando ingeridos aumentam rapidamente os níveis de glicemia e, consequentemente, os níveis de insulina, o que pode piorar a acne. Para a Dra. Daniela Schmidt Pimentel, nem sempre o tratamento é simples, “Muitas vezes, apenas os cuidados diários, como lavar a face com sabonetes, usar adstringentes e cremes próprios para a pele oleosa, não são suficientes para o controle do problema, pois ele pode ser causado por alguma doença”.

Quando a acne aparece na idade adulta, após a adolescência, ela se concentra principalmente na região do queixo e pescoço e se caracteriza por apresentar pápulas avermelhadas e nódulos dolorosos que se acentuam no período menstrual. Este quadro pode estar relacionado com a produção excessiva de hormônios como na síndrome de ovários policísticos ou até mesmo na hipersensibilidade dos receptores dos hormônios. Neste caso, é importante realizar exames de dosagem hormonal e o tratamento é realizado com antiandrógenos, como os anticoncepcionais.

“Existe uma variedade de produtos indicados para pele oleosa e acneica, como sabonetes, adstringentes e cremes com princípio ativos como ácido salicílico, sulfato de zinco, enxofre, etc. No entanto, é fundamental que um dermatologista seja consultado para que se faça um diagnóstico de acne e para que o tratamento seja específico para cada grau do problema”, comenta a especialista. Quando não tratada, a acne pode deixar cicatrizes desagradáveis na face e no tronco, e de difícil tratamento. O ideal é que o diagnóstico e tratamento sejam feitos precocemente.